
Roadshows, parceria da CVC e ABIH-RN
Enquanto o sol acende sobre as dunas de Natal, outra jornada começa — sem brisa salgada, com pastas de negócios e portões de embarque. Em agosto, o destino potiguar deixa a beira-mar para percorrer o Brasil e a América do Sul, levando na bagagem a hotelaria, as praias e a promessa de um verão que nunca termina.
O Rio Grande do Norte entra em agosto com os pés na areia, mas os olhos no mapa. Executivos da ABIH-RN e hoteleiros associados cruzam, ao longo do mês, seis cidades em dois países e meio-continente: Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Ribeirão Preto — e, do outro lado da fronteira, Lima, Santiago, Córdoba, Buenos Aires e Montevidéu. A missão é a mesma em cada sala, em cada feira, em cada aperto de mão: fazer com que um pedaço do Nordeste seja o próximo destino na agenda de quem vende — e de quem compra — turismo.
Este movimento não é fruto do acaso, mas de uma engenharia comercial meticulosa que entende a sazonalidade como um desafio a ser vencido com presença física e dados na mesa. A hotelaria potiguar compreende que a competitividade global exige que o destino seja lembrado no momento exato em que o agente de viagens, em qualquer lugar da América Latina, começa a desenhar o sonho de seu cliente. Por isso, a delegação potiguar carrega mais do que folhetos; carrega a infraestrutura de um estado que se preparou para ser protagonista no cenário pós-pandemia e na consolidação de 2026.
A estratégia de agosto é dividida em frentes complementares. Enquanto o mercado interno foca na capilaridade das grandes operadoras nacionais, a frente internacional busca consolidar o Rio Grande do Norte como a porta de entrada preferencial do turista sul-americano no Nordeste brasileiro. É um jogo de xadrez onde cada voo conquistado e cada agente capacitado representam um aumento direto na taxa de ocupação dos hotéis, desde a capital Natal até os destinos de charme no litoral sul e norte.
A primeira parada é no Brasil: a sala de aula dos agentes
A agenda nacional começou onde as vendas realmente acontecem: nas rodas de conversa com quem apresenta o destino ao viajante. Nos Roadshows CVC, em Goiânia, Brasília e Belo Horizonte, os agentes de viagens não assistem a uma palestra — participam de uma imersão no que o Rio Grande do Norte tem de melhor. A infraestrutura hoteleira, os novos produtos turísticos, as oportunidades de comercialização: tudo vira argumento de venda na ponta da língua de quem atende o balcão.
A parceria entre a ABIH-RN e a CVC é uma estratégia permanente de aproximação — e os números provam que o método funciona. Em 2025, mais de 1.000 agentes de viagens foram capacitados e o ticket médio das vendas do Rio Grande do Norte pela operadora cresceu cerca de 10%. Número que, traduzido, significa o que o setor mais quer ouvir: mais diárias, mais ocupação, mais negócios. A caravana encerra no dia 19 de agosto, em Ribeirão Preto (SP) — cidade que, três dias depois, vira palco de outro capítulo.
O impacto desses roadshows vai além da venda imediata. Ele cria uma rede de embaixadores do destino. Quando um agente de viagens em Brasília compreende a logística facilitada para as praias do Rio Grande do Norte ou a diversidade gastronômica de Natal, ele vende com segurança. Essa segurança é o que converte a dúvida do cliente em um pacote fechado. O crescimento do ticket médio é o reflexo direto dessa qualificação: o agente deixa de vender apenas o "básico" e passa a oferecer experiências de maior valor agregado, beneficiando toda a cadeia produtiva.
Ribeirão Preto: a feira que vira vitrine
Entre os dias 20 e 22 de agosto, a gestora de relacionamento da entidade e os hoteleiros associados desembarcam na AVIRRP – Feira de Turismo da Associação das Agências de Viagem de Ribeirão Preto e Região, um dos principais encontros de negócios do turismo brasileiro. No salão da feira, agentes, operadoras, meios de hospedagem, companhias aéreas e destinos se encontram em um único espaço — e cada conversa de corredor pode se transformar em pacote vendido meses depois.
Para a hotelaria potiguar, o evento é uma vitrine direta para o interior paulista, região de forte potencial emissor e alto poder aquisitivo. É ali, entre um networking e uma rodada de negócios, que o destino se apresenta não como paisagem de cartão-postal, mas como produto competitivo, com estrutura pronta para receber o turista o ano inteiro. A AVIRRP funciona como um termômetro para as tendências do mercado do Sudeste, permitindo que os hoteleiros ajustem suas ofertas em tempo real.
A presença da ABIH-RN na feira garante que o Rio Grande do Norte não seja apenas mais um expositor, mas uma autoridade no setor. A participação institucional robusta permite que pequenos e médios hotéis associados tenham voz e visibilidade em um mercado que, de outra forma, seria difícil de acessar individualmente. É o associativismo em sua forma mais pura: a união de forças para conquistar um mercado que é vital para a sustentabilidade econômica do turismo potiguar durante a baixa temporada.
Do Pacífico ao Rio da Prata: a América do Sul na rota
Enquanto o
Brasil é conquistado cidade a cidade, a frente internacional segue em outra
direção. A gerente executiva da ABIH-RN e representantes da hotelaria potiguar
participam do Meeting Brasil Latin America, circuito de negócios que costura o
destino potiguar aos operadores e agentes que comercializam o Brasil na América
do Sul. A programação atravessa Lima (Peru), Santiago (Chile), Córdoba e Buenos
Aires (Argentina), encerrando no dia 13 de agosto, em Montevidéu
(Uruguai).
Em cada capital, o mesmo ritual: apresentar o Rio Grande do Norte, ouvir o mercado, fechar pontes. As ações somam-se às campanhas digitais direcionadas ao público argentino e ao trabalho contínuo de promoção internacional da entidade — com um objetivo concreto: fortalecer a presença do estado nos principais canais de comercialização do turismo, ampliar a ocupação hoteleira e gerar novos negócios. A diversificação de mercados é a chave para reduzir a dependência de uma única praça emissora.
O Meeting Brasil é uma plataforma de alta eficiência, pois foca no público B2B (business to business). Ao falar diretamente com quem decide quais destinos estarão nas prateleiras das agências de Lima ou Santiago, a ABIH-RN encurta o caminho entre o investimento em promoção e o retorno em hóspedes. O interesse sul-americano pelo Nordeste brasileiro é histórico, mas a concorrência é feroz. Estar presente, "olho no olho", é o diferencial que coloca Natal e o Rio Grande do Norte no topo da lista de prioridades desses operadores internacionais.
A Argentina, o voo e a aposta que ganha asas
No meio desse mapa, há um nome que se destaca: a Argentina, hoje o principal mercado internacional emissor de turistas para o estado. A relação, que já é sólida, ganha agora uma nova dimensão física. O Rio Grande do Norte conta com operação direta da JetSMART e da Gol entre Buenos Aires e Natal — e, a partir de dezembro, recebe uma rota sazonal com mais um voo da LATAM. Esta expansão da malha aérea é o resultado de anos de negociações e promoção constante.
Cada assento novo nesses aviões é uma promessa de fluxo: mais visitantes nas areias de Natal, mais diárias na rede hoteleira, mais força para a economia potiguar. A conectividade aérea, sabem os especialistas, é o fio que liga o desejo do viajante à realidade da viagem — e o Rio Grande do Norte acaba de reforçar esse fio. Sem voos diretos ou com conexões facilitadas, o destino mais bonito do mundo torna-se inacessível; com eles, o estado torna-se o vizinho preferido dos argentinos.
A aposta na Argentina é estratégica e resiliente. Mesmo diante de oscilações econômicas, o turista argentino mantém sua fidelidade ao litoral brasileiro. Ao garantir voos de três grandes companhias (JetSMART, Gol e LATAM), o Rio Grande do Norte não apenas aumenta a oferta, mas gera competitividade tarifária, tornando o destino ainda mais atraente. O trabalho da ABIH-RN agora é garantir que, uma vez em solo potiguar, esse turista encontre serviços de excelência que o transformem em um visitante recorrente.
"O turismo não pode tirar férias"
Para o presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, a receita é clara: presença constante. E o recado, direto.
"O turismo é uma atividade que exige promoção contínua. Não basta divulgar o destino apenas na alta temporada. Precisamos manter presença nos principais mercados emissores, fortalecer o relacionamento com agentes e operadoras e ampliar a conectividade aérea. A Argentina continua sendo nosso principal mercado internacional e, com a ampliação da oferta de voos, temos uma excelente oportunidade para aumentar o fluxo de visitantes. Paralelamente, seguimos investindo no mercado nacional por meio dos Roadshows da CVC e da participação em eventos estratégicos como a AVIRRP. Esse trabalho permanente fortalece a hotelaria, gera empregos, movimenta a economia e consolida o Rio Grande do Norte como um dos destinos turísticos mais competitivos do país." – Edmar Gadelha
A visão da presidência reflete um amadurecimento do setor. O turismo deixou de ser uma atividade contemplativa para se tornar uma indústria de precisão. Gadelha enfatiza que a geração de empregos e a movimentação econômica são os fins últimos de todo esse esforço logístico. Quando um hotel atinge sua ocupação máxima, toda a cadeia — do taxista ao guia de turismo, do restaurante ao pequeno produtor rural que fornece os insumos para o café da manhã — é beneficiada.
Quando agosto terminar, os portões de embarque se fecham — mas a estrada não. O que essa maratona deixa para trás é a certeza de que o destino potiguar não se vende apenas no verão: vende-se o ano inteiro, cidade por cidade, voo por voo, aperto de mão por aperto de mão. Enquanto houver sol nas dunas, haverá alguém do outro lado do continente pronto para conhecer, e a ABIH-RN estará lá para garantir que o caminho seja curto e o convite, irrecusável.


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