
Jornalistas no II Encontro Febtur de Jornalistas e Comunicadores de Turismo em Porto Seguro BA
O sol ainda nem tinha rompido completamente no horizonte chuvoso quando os primeiros jornalistas começaram a circular pelo Centro de Eventos do Porto Seguro Eco Bahia. Havia algo de especial naquela manhã — uma combinação de expectativa, reencontro e energia criativa que só grandes eventos conseguem provocar.
A brisa quente que vinha do mar parecia anunciar que a cidade, tão conhecida por suas paisagens e festas, tinha se preparado para revelar uma outra faceta: a de anfitriã de um dos encontros mais simbólicos da comunicação turística brasileira. Ali começava o II Encontro FEBTUR de Jornalistas e Comunicadores de Turismo, um mergulho profundo na história, na identidade e no futuro do turismo como força cultural e econômica.
Mal as portas se abriram, o saguão se transformou em um grande ponto de convergência: blocos de notas e smartphones prontos para transmissões rápidas — mas, acima de tudo, olhares atentos, curiosos, famintos por conteúdo. Cada participante ali carregava a mesma missão: traduzir o Brasil que se move por suas viagens, histórias, sabores, territórios e pessoas.
Memória Viva: Carlo Casais e os Caminhos da Comunicação Turística

Carlo Casais, decano do jornalismo de turismo brasileiro, ele é a própria história do turismo
Quando Carlo Casais, decano do jornalismo de turismo no Brasil, subiu ao palco, a plateia silenciosa demonstrava reverência. Era como se todos estivessem diante de um guardião da memória — alguém que não apenas viu o turismo brasileiro florescer, mas registrou cada passo, tropeço e transformação com a precisão de quem sabe que a história não espera.
Casais não precisou de apresentações longas. Sua presença bastava. E, quando começou a falar, sua narrativa conduziu o auditório para muito além das paredes do evento, atravessando décadas em poucos minutos.
Ele relembrou os primeiros encontros de jornalistas de turismo no país — tempos em que as reuniões aconteciam em salas modestas, com poucos participantes, mas com debates intensos sobre identidade, responsabilidade e futuro. Era um jornalismo feito na raça, na estrada, nas madrugadas de produção, quando a pauta dependia não apenas de vontade, mas de persistência.
“Contar o Brasil exige caminhar pelo Brasil”, disse, em um dos momentos mais marcantes da manhã. E completou: “A FEBTUR é herdeira de todos que vieram antes, mas também a ponte para todos que virão depois.” Carlo Casais
Ali, ficou claro que o evento não era apenas técnico. Era emocional. Histórico. Uma celebração de quem constrói, com palavras e imagens, a memória de um país múltiplo e em constante movimento.
Marca, Território e Pertencimento: A Travessia de Maurício Magalhães

O dinâmico Maurício Guimarães deu uma aula de marketing
A atmosfera mudou quando Maurício Magalhães, CEO do Grupo Mundo Real, assumiu o palco. Seu estilo dinâmico e provocador trouxe ritmo acelerado ao auditório, como se ele empurrasse todos para frente — para o futuro do marketing turístico.
Em vez de apresentar conceitos abstratos, ele contou histórias de destinos que se perderam em slogans vazios, campanhas desconectadas e falta de continuidade institucional. Falou de como o Brasil, tão rico em possibilidades, muitas vezes não soube cuidar de suas próprias marcas turísticas.
“Marca é memória. Lugar bonito não basta; o que conecta é significado”, declarou Maurício.
Sua fala ressoou especialmente entre os mais jovens, que convivem com a pressão constante de transformar territórios em narrativas viralizáveis, sem perder a autenticidade.
Ele também destacou destinos que acertaram — aqueles que entenderam que reputação é construída aos poucos, com consistência, verdade e estratégia. Que marketing não é fazer barulho, mas fazer sentido. Que comunicar território é comunicar gente.
E concluiu com uma das frases mais compartilhadas do evento:
“O turista não viaja por paisagens. Ele viaja por histórias — e quer fazer parte delas.” Maurício Magalhães
O Corpo em Movimento, O Território em Ação: O Turismo Esportivo de Lívia Macedo

Lívia Macedo, mostrou como evento esportivo pode alavancar o turismo
A transição para a palestra da professora Lívia Macedo, especialista em eventos esportivos, foi fluida — quase coreografada. Sua apresentação trouxe novos elementos à narrativa: movimento, superação, pertencimento, impacto social.
Lívia mostrou números, tendências internacionais e cases poderosos que transformaram pequenas cidades em destinos de grande fluxo graças ao esporte. Corridas de rua, travessias aquáticas, trilhas, campeonatos — cada evento esportivo, segundo ela, tem o poder de mobilizar economias inteiras.
Mas foi ao falar das pessoas que a sala parou para ouvir.
“O turista esportivo não se limita a olhar. Ele vive. Ele transpira o destino. Ele cria vínculo.” Livia Macedo
Naquele instante, jornalistas se entreolharam: cada frase era uma pauta em potencial. Porto Seguro, com seu litoral expansivo, sua natureza pulsante e sua vocação para experiências, parecia o cenário ideal para transformar aquela teoria em prática.
Quando as Palavras Encontram o Mar: O Momento Literário da FEBTUR

Penaforte Dias, Marco Aurélio Jacob, Wander Levy e Eliade Pimentel tiveram suas obras apresentadas por Seleucia fontes no Mometo Literário da Febtur
O dia avançou, e o evento ganhou uma nova camada de profundidade. No Momento Literário, autores e jornalistas compartilharam livros, memórias e inspirações. Era um pequeno oásis dentro da intensa programação — uma pausa poética para celebrar o poder das narrativas.
Folhear um livro enquanto se ouvia o mar ao fundo parecia simbólico: cada página escrita ali carregava o mesmo DNA dos comunicadores presentes — contar histórias que atravessam fronteiras.
As Noites que Não Se Esquecem: Lual no Barramares e no Tôa Tôa
A primeira noite trouxe o lual no Barramares. Música suave, luzes pontuais dançando na areia, gastronomia baiana e conversas que fluíam como se todos já se conhecessem há anos.
Era o tipo de noite em que jornalistas guardam o bloquinho no bolso e permitem que a experiência seja a própria pauta.
Dias depois, o lual no Tôa Tôa repetiria o fenômeno — dessa vez com a energia típica dos megabeachclubs de Porto Seguro. Dança, alegria e celebração criaram memórias coletivas que não cabem em release, mas permanecem como marca afetiva do encontro.
Rodada de Conversas: O Coração dos Bastidores

Rodada de negócios, o jornalista direto com os apoiadores e patrocinadores
A Rodada de Conversas funcionou como um grande laboratório criativo. Em mesas rápidas, intensas e colaborativas, jornalistas trocaram ideias com:
- representantes de secretarias de turismo
- empreendedores da economia criativa
- influenciadores e comunicadores digitais
Várias reportagens nasceram ali — ainda sem título, mas com alma. Porque é assim que grandes pautas surgem: de encontros improváveis entre pessoas que acreditam no poder transformador do turismo.
As Vozes de Autoridade: Guilherme Paulus e Toni Sandro
Em meio às conversas e vivências, o encontro recebeu duas figuras emblemáticas do setor:
Guilherme Paulus
Fundador da CVC, trouxe uma visão estratégica sobre:
- expansão do turismo interno
- desafios de infraestrutura
- importância da integração entre setores
- papel da imprensa em orientar decisões
Toni Sandro
Com autoridade técnica, analisou:
- efeitos econômicos da cadeia turística
- regionalização
- potencial de Porto Seguro como hub nacional
Suas falas consolidaram o encontro como um fórum de pensamento e planejamento macroestruturado.
Porto Seguro tem uma capacidade rara: a de ensinar sem parecer sala de aula. No II Encontro FEBTUR, essa vocação se revelou em cada passo, em cada roteiro técnico cuidadosamente planejado. Não eram “visitas” — eram capítulos de uma narrativa viva. Território, cultura, história e ancestralidade trabalhavam juntos para formar um laboratório real de comunicação turística.
O aprendizado não vinha de apostilas, mas do chão, da areia, da mata, da água salgada, das vozes locais.
E foi assim que dezenas de jornalistas descobriram que Porto Seguro não é apenas destino — é conteúdo pulsante, pronto para ser interpretado por quem sabe ouvir e observar.
Epopeia do Descobrimento: Onde a História Respira
O primeiro mergulho aconteceu no complexo da Epopeia do Descobrimento. Ao atravessar o portão, jornalistas foram recebidos por construções cenográficas que recontam as primeiras interações entre portugueses e povos originários. Era como entrar em um túnel do tempo — cada detalhe arquitetônico, cada peça exposta e cada intervenção cênica transportava os visitantes ao passado.
O cheiro de madeira úmida, o ranger das estruturas e a luz filtrada criavam uma atmosfera capaz de silenciar até os comunicadores mais falantes.
Foi ali que muitos perceberam a força narrativa do destino: Porto Seguro é um palco histórico com potencial inesgotável para reportagens que conectam educação, cultura e turismo.
Para alguns, a epifania foi imediata: “Aqui não estamos só vendo história. Estamos ouvindo ela falar.”
Reserva Indígena da Jaqueira – Aldeia Pataxó: O Momento de Maior Humanidade

Visita técnica a Reserva Indígena da Jaqueira (Aldeia Pataxó)
Se a Epopeia emociona pela grandiosidade, a Reserva Indígena da Jaqueira, na Aldeia Pataxó, comove pela verdade.
Ao entrar na mata preservada, jornalistas perceberam que aquele não era apenas um território — era um santuário cultural, protegido e transmitido por gerações. A recepção dos Pataxó misturava sorriso, firmeza e orgulho ancestral.
A trilha guiada, os rituais apresentados, as casas tradicionais, as histórias contadas em voz baixa e ritmo lento — era tudo profundamente íntimo.
A cada parada, uma lição de que turismo não é cenário decorativo: é gente. É legado.
Jornalistas anotavam, filmavam, registravam — mas em vários momentos apenas guardavam, em silêncio, o peso e a beleza do que viviam.
Uma comunicadora comentou:
“Aqui o aprendizado não cabe no bloco de notas. Cabe na alma.”
Poucas experiências conseguem unir tão intensamente território, ancestralidade e responsabilidade editorial.
Centro Histórico: A Geografia Que Explica o Brasil
No Centro Histórico, o aprendizado assumiu outra forma: o olhar apurado do repórter.
Caminhar por aquele conjunto arquitetônico é entender, com os pés no chão, onde a narrativa da história do Brasil começou. A Igreja de Nossa Senhora da Pena, a Casa de Câmara e Cadeia — cada construção é um capítulo da formação do país.
Jornalistas observavam ângulos, texturas, luzes e sombras. Procuravam personagens locais. Conversavam com guias. Observavam turistas boquiabertos. A busca ali era por pautas, mas também por conexões.
O Centro Histórico mostra que todo destino turístico é, ao mesmo tempo, palco e coletivo humano — e que a missão do comunicador é dar sentido ao que, muitas vezes, parece apenas cenário.
Parque Nacional do Recife de Fora: Onde o Aprendizado Flutua

Parque Nacional do Recife de Fora, Porto Seguro BA
Nenhum jornalista esquece o momento em que chega ao Parque Nacional do Recife de Fora. Depois da travessia de barco, o silêncio azul do mar revela as piscinas naturais e um ecossistema que, visto de perto, parece mágico — mas exige cuidado, preservação e consciência.
Naquele laboratório vivo, jornalistas aprenderam sobre:
- impacto humano em ambientes frágeis
- preservação de corais
- ecoturismo responsável
- limites entre lazer e conservação
Mergulhar ali era quase um ato de respeito.
Vários comunicadores relataram uma sensação curiosa: a de que estavam “aprendendo com a água”. Ali, Porto Seguro mostrava que a natureza é uma mestra generosa — desde que o visitante saiba entrar com humildade.
Um Laboratório de Narrativas em Tempo Real
Em todos esses lugares, jornalistas caminhavam, fotografavam, entrevistavam e, principalmente, interpretavam. Porto Seguro, como sala de aula, funcionou com perfeição porque entregou três elementos que comunicadores valorizam profundamente:
- Experiência sensorial — histórias que se sentem, não apenas se ouvem.
- Contexto humano — pessoas que ensinam, inspiram e transformam.
- Material jornalístico autêntico — cenários reais, conflitos reais, histórias reais.
Essas visitas técnicas foram mais do que parte da programação. Elas foram a espinha dorsal do evento — a base sensorial e emocional que sustentou todas as palestras, rodas de conversa e reflexões posteriores.
A cidade ensina. Provoca. Acolhe. Desafia. Encanta. E transforma.
Para jornalistas, esse tipo de vivência não é opcional: é fundamental. É dela que nascem reportagens profundas, narrativas potentes e histórias que engajam leitores de todo o país. Encerramento com Sabor de Bahia: Arraial d’Ajuda
O último capítulo aconteceu no charmoso Restaurante Emília, em Arraial d’Ajuda. Gastronomia refinada, clima intimista, despedidas carregadas de promessa: o encontro havia gerado muito mais que pautas — havia criado vínculos.

Gorgônio Loureiro, presidente da FEBTUR, o maestro

A batuta silenciosa, mas firme
Sob a liderança de Gorgônio Loureiro, o II Encontro FEBTUR ganhou dimensão de obra autoral — não apenas um evento, mas uma construção coletiva regida por alguém que entende profundamente o valor simbólico e estratégico da comunicação turística. Sua presença não era apenas institucional: era narrativa, orquestral, quase curatorial. Ele foi o ponto de convergência entre profissionais, territórios, cultura e propósito.
Gorga, como muitos o chamam nos bastidores, incorporou o papel de maestro. Cada palestra, cada visita técnica, cada experiência gastronômica ou cultural parecia afinada numa mesma frequência: mostrar a força do turismo quando guiado por quem acredita no setor como instrumento de transformação humana e econômica.
Quando a Cidade Ensina e o Jornalismo Traduz
O II Encontro FEBTUR foi mais que um evento: foi travessia.
Uma narrativa viva.
Uma jornada de descobertas.
Porto Seguro não foi apenas cenário — foi personagem.
Entre palestras, litorais, ancestralidades, histórias e sabores, nasceu ali uma certeza coletiva: a comunicação turística é o fio que costura o Brasil por dentro, unindo povos, territórios e experiências.
E, como todo grande encontro, este não terminou ali.
Ele continuará vivo nas reportagens, nos vídeos, nos livros, nas redes e — sobretudo — nas histórias que ainda serão contadas.


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