O diretor Bill Condon de "DEUSES E MONSTROS", "DREAMGIRLS", "KINSEY" e que foi também o responsável pelo mega sucesso do live-action da Disney "A BELA E A FERA", é GRANDE responsável por trazer a luz o novo "O Beijo da Mulher Aranha" de 2025, que é um remake do clássico filme brasileiro de 1985, dirigido pelo saudoso diretor Argentino, naturalizado no Brasil Hector Babenco, que vem de uma filmografia icônica com obras como: "PIXOTE: A LEI DO MAIS FRACO", "CARANDIRU", "MEU AMIGO HINDÚ e "BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR", e é também uma nova adaptação do livro de Manuel Puig e do musical da Broadway, estrelado por Jennifer Lopez, no papel que um dia foi da nossa diva do cinema nacional e internacional, Sônia Braga de "BACURAU" e "AQUARIUS".
Esta é nova versão/remake musical que traz uma inusitada roupagem e novos números musicais para a história, adaptada da peça teatral de sucesso, onde Condon dirige e escreve o roteiro - no elenco além da JLO como a personagem Aurora/Ingrid Luna), temos o Diego Luna de "ANDOR" Como (Valentín) e Tonatiuh de "STARGATE: ORIGENS como (Molina) - o musical, diferente da versão original, que é mais dramática, onde a trama se passa em uma prisão argentina durante a ditadura militar, focando na relação entre dois prisioneiros e "parceiros".
A história é contada de forma não linear e narrada na primeira pessoa, onde o personagem Molina é o fio condutor da narrativa e responsável por levar o personagem do seu parceiro e companheiro de cela Valentim e o público da realidade ao lúdico, onde são exibido sempre de forma magistral por musicais - Valentín "Diego Luna", é um preso político que divide uma cela com Molina "Tonatiuh", condenado por atentado ao pudor. Os dois formam um vínculo improvável enquanto Molina reconta o enredo de um musical de Hollywood estrelado por sua diva favorita do cinema, Ingrid Luna "JLO" - O longa, inspirado no musical teatral de Terrence McNally.
Verdade que a maioria das cenas são todas rodadas em estúdio, deixando o filme/musical com o tom mais plasticamente perfeito, porém muito artificial, sem o frescor do naturalismo das locações reais externas, onde o diretor encontra a
essência do filme, fazendo um tributo aos musicais que já dirigiu, transformando a narrativa dramática e politicamente carregada de Babenco em um espetáculo visual, utilizando a música para expressar a fuga mental de Molina da dura realidade da prisão. Ambas as versões são abordagens válidas da história, mas com focos e estéticas muito diferentes.
A principal diferença entre o filme O Beijo da Mulher Aranha de 2025 e o clássico de Héctor Babenco de 1985 é que a versão mais recente é uma adaptação musical da peça da Broadway, enquanto o original é um drama intenso e realista. O filme de Babenco focava no drama psicológico e político, enquanto o de Bill Condon (2025) aposta na estética e no escapismo dos números musicais, ambos tem seus méritos e são brilhantes, deixando ao público que conhece os dois filmes... as devidas comparações ou não.
Indo na fonte e na raiz do filme original "sem comparações", até por quê mesmo ambos bebendo das mesmas fontes... são inspirações e ideias bem distintas entre o filme clássico de 1985 e o musical de 2025 - no filme de 1985, Babenco transformou o livro de Puig em filme coproduzido entre Brasil e EUA, com Sônia Braga no papel da diva que protagoniza o filmes contados por Molina, e um leque amplo de outros grandes atores brasileiros, como José Lewgoy, Milton Gonçalves e Fernando Torres, fazendo coadjuvância para os hollywoodianos Raul Julia e William Hurt. Com muito rigor formal, Babenco transportou a história para a ditadura militar brasileira e colocou Braga para interpretar uma rainha gelada da tela grande, inspirada em Marlene Dietrich e Greta Garbo - com um toque, tempero e molho apimentado latino americano.
CURIOSIDADES
Em 1986, O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, marcou a estreia do Brasil na categoria de Melhor Filme, o segundo filme brasileiro a conseguir esse feito, foi o filme premiado do Walter Salles premiado ano passado com o Oscar de melhor filme internacional "AINDA ESTOU AQUI" em 2025, 40 anos depois - trazendo para o Brasil o tão sonhado e esperado primeiro oscar - mas... O filme do Babenco, no entanto, acabou perdendo o prêmio para Entre Dois Amores, de Sidney Pollack, mas rendeu a estatueta de Melhor Ator a William Hurt (Viúva Negra), que contracenava com Sonia Braga na produção brasileira, o filme estreou no Festival de Cannes de 1985, onde Willian Hurt ganhou o prêmio de Melhor interpretação masculina e Babenco sendo indicado para a Palma de Ouro, sendo posteriormente lançado nos Estados Unidos em 26 de julho de 1985 e no Brasil em 13 de abril do ano seguinte. O Beijo da Mulher Aranha recebeu elogios da crítica, com Hurt vencendo o Óscar e o BAFTA de Melhor Ator, além do filme ser nomeado ao Óscar de Melhor Filme, e em novembro de 2015, o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, ocupando a posição de número 61 - o filme foi um grande destaque no Oscar de 1986, recebendo quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Babenco), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator, categoria na qual William Hurt venceu,. Embora fosse uma coprodução Brasil-EUA, o filme concorreu nas categorias principais, representando um marco para o cinema brasileiro, com Sônia Braga brilhando como estrela, mesmo sem indicação para ela.
Antes de "O BEIJO DA MULHER-ARANHA" do Babenco trazer os holofotes do mundo e do universo da sétima arte, principalmente de Hollywood e do Oscar para o Brasil, mostrando sua Cultura e seus artistas... O filme "ORFEU NEGRO" (1959) foi o primeiro filme de fato com forte conexão brasileira a receber um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960, embora a estatueta tenha ido para a França, pois era uma co-produção franco-ítalo-brasileira e a França o inscreveu. O filme, baseado na peça de Vinícius de Moraes e filmado no Rio, trouxe reconhecimento internacional à cultura brasileira, com atores como Breno Mello e Léa Garcia, mas a autoria cultural foi "reivindicada" pela França, destacando a complexa relação do Brasil com seu próprio cinema no Oscar - hoje esse é mais exemplo clássico de APROPRIAÇÃO DE CULTURA INDEVIDA. E ponto.
Já... Se formos falar de uma produção 100% Brasileira, em 1963, "O PAGADOR DE PROMESSAS" fez também história ao ser o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, representando o Brasil na 35ª edição da premiação, embora tenha perdido para o francês "Les dimanches de Ville d'Avray". Dirigido por Anselmo Duarte e baseado em peça de Dias Gomes, o filme também venceu a Palma de Ouro em Cannes em 1962, sendo um marco para o cinema nacional.
Deixando as curiosidades a parte... sobre o universo que move "O BEIJO DA MULHER-ARANHA", deixando o clássico do Babenco e voltando ao remake só Condon... Podemos por assim dizer quê: é um filme que merece seu lugar ao sol e ser descoberto nos cinemas ou no streaming, por quem já conhece a obra original ou não, para quem gosta de musical principalmente e também para quem quer fazer suas devidas comparações ou não. Pois o bom mesmo é tirar as próprias conclusões e ter as próprias experiências.
A quem possa interessar e se permitir... Vá de coração aberto e se permita flertar, se entregue como tributo e oferenda e seja beijado pela MULHER-ARANHA da M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A JENNIFER LOPEZ.
Se liga meu povo cinéfilo de plantão e amantes da sétima arte, que o filme estreia em todos os cinemas do Brasil, no próximo dia 15 de janeiro de 2026, abrindo as grandes estreias no cinema do ano.
Texto produzido por @well.nchagas




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